sexta-feira, novembro 18, 2005

Greve de Professores

Apesar de não concordar com as greves, entristece-me quando vejo um grupo enorme de pessoas contra esta classe.

Eu só pergunto se alguns dos que acham que um professor deve estar a dar aulas 35 horas por semana, acham que um professor deva também preparar as aulas? É que, sinceramente, depois de estar 7 horas por dia com jovens, muitas vezes a passarem por crises de identidade, quem terá cabeça para preparar aulas para os dias seguintes, ou para fazer testes (é que estes não caem do céu) ou corrigi-los (estes também não se corrigem sozinhos) - sem falar na formação contínua que a classe dos professores defende (além de que é necessária para subir de escalão).


É que quem trabalha num banco, por exemplo - trabalha 35 horas, chega a casa e arruma a pastinha - um professor a sério, não o faz.


Podemos sempre verificar que existem maus profissionais, que faltam, que não preparam as aulas, etc. mas existem maus profissionais em todas as áreas e não é por isso que todos os outros" não prestam.


Já agora um professor não tem dois meses de férias... Não têm é aulas, é muito diferente, têm reuniões, planificações, exames, correcção de exames (este ano, para puderem ir de férias, era necessário haver alguém da escola para poder corrigir os exames, em caso de necessidade) formação e, nalgumas escolas, actividade de férias com os alunos.


Por fim, gostava algumas pessoas estivessem um dia numa sala de aulas a trabalhar com uma turma de 25 a 30 alunos do 8º ano - acho que passariam a respeitar a classe.

6 Comments:

Blogger Luis Monteiro said...

Casalinha

Aquilo que me deixa mais revoltado é ler certos textos, escritos por pessoas cuja idoneidade é altamente questionável, a disparar papaias sobre os professores somente pelo facto do tema fazer parte da agenda mediática e parecer mal não expressarem a sua opinião. Depois, pior ainda, vê-se que não estudaram bem a lição e falam sem saber. Isso provoca-me náuseas.
A crítica à actual situação dos professores, normalmente sustentada em comparações (infelizes) com outras classes, surge inundada de demagogia barata.
Mais o que mais me surpreende nestas pessoas é o facto de não seguirem o seu maior lema: o incentivo à produtividade. Se reparar com atenção, logo vê as horas a que costumam postar. Será que estão a navegar na net durante o expediente?
Contradição e demagogia são males que Portugal não pode dar-se ao luxo de ter…

11:13 da tarde  
Blogger AS said...

Esta minha opinião aviso já que é de leigo, nunca dei aulas, mas já assisti a muitas e se há classe que eu respeito é a dos professores.

Como eu acho que cada um tem a sua opinião e se a quiser dar, dá. Cá vai a minha:

Básicamente o que se está a passar é: vamos lá bater no ceguinho e quem é o "ceguinho"?
a função pública.

E dentro da função pública quem é mais "ceguinho"?
A classe dos professores, obvio.

Agora eu acho que a classe dos professores está muito mal representada em termos de sindicatos, como raios é que eles se foram lembrar de fazer uma greve em plena época de exames nacionais? queriam o quê? Que as pessoas vissem a sua vida alterada e ficassem do lado deles? Queriam que o governo não aproveitasse essa situação e batesse mais no ceguinho, usando toda a demagogia possível? Já agora uma questão que sempre tive: por que é que as greves estão sempre coladas ao fim de semana?

Não sei se fui eu que entendi mal, mas eu acho que ninguém pediu aos professores para darem as 35 horas semanais de aulas. no que trata às aulas de substituição faço minhas as palavras de Eduardo Prado Coelho:

"Ouvi sobre isso dizerem-se coisas extraordinárias: que os professores não tinham que ficar a tomar conta de meninos, e que um professor de Geografia não poderia substituir uma aula de Educação Física. Estávamos na demagogia mais despudorada. Substituir uma aula em que um professor falta não é necessariamente dar a matéria que ele estava a dar. Mas qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro ou de um artigo na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas. O único problema que vejo na permanência dos professores nas escolas está na necessidade de encontrar espaços onde eles possam trabalhar sossegadamente, ler os livros que lhes interessam ou preparar aulas. Esta é a questão que me parece que cada escola, na sua autonomia, tem de resolver.
Quanto à greve, foi certamente um equívoco de que alguns se aproveitaram politicamente."

2:33 da tarde  
Blogger Luis Monteiro said...

Caro(a) as

O único problema nestas aulas de subsituição é que não contam como componente lectiva. O que o Prado Coelho disse, é sem dúvida verdade. Mas sem querer está a dar razão à classe dos professores. Se vão leccionar ou ensinar qualquer tipo de tema, seja ele pesquisar na internet ou na biblioteca, estão a exercer, e como tal deveriam ser remunerados.
Não acha?
Se no entanto for só para tomar conta dos alunos, ponham antes os auxiliares, também devidamente remunerados por isso.

Luis Monteiro

3:38 da tarde  
Blogger Luis Silva said...

As horas de "postar" podem nada ter a ver com a realidade. Por exemplo no meu blog "posto" sempre a partir das 19h30 e lá consta como 1h00, ou seja não está devidamente configurado o fuso horário, ok? Com toda a certeza, os professores podem postar muito mais cedo que eu certamente...e até durante o dia...

12:49 da manhã  
Blogger AS said...

(Começo por pedir desculpa à cidadã por estar a transformar o comentário numa conversa)
Luís,

essa questão é muito simples:
Como é a folha de ordenados de um professor? (eu não sei, por isso ponho as duas hipoteses)
a) 35 horas semanais com um custo igual para todas?
Não deve haver qualquer bonificação;
b) num de aulas vezes x mais (35 - num de aulas) vezes y?
Então os professores devem ser pagos pelas horas que deram.

Já agora, é caro AS ;-)

5:31 da tarde  
Blogger Cláudio said...

Dignificar a classe dos professores é urgente. E parte da própria classe começar esse importante processo de credibilização.

12:12 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home